Quantos manuscritos da Bíblia existem ainda hoje?
- Felipe Morais

- 13 de abr.
- 4 min de leitura
Atualizado: 25 de abr.
Manuscritos da Bíblia
Temos mais de 5900 manuscritos[1] do novo testamento em grego entre completos e fragmentados existentes ainda hoje. A cópia era uma ação repetitiva e devia-se agir com fidelidade máxima ao texto original.
Falando sobre o texto do Novo Testamento, Merril Frederick Unger (2006, p. 714) diz que “pode-se encontrá-lo em quase cinco mil manuscritos (cópias manuscritas) gregos e em mais de dez mil manuscritos que são cópias de versões mais antigas, além de milhares de citações dos Pais da Igreja.”

Quando os manuscritos são comparados, existe toda uma ciência competente para averiguação do conteúdo, como a Paleografia – que nos permite datar um manuscrito e ver sua origem geográfica – os manuscritos provenientes do Egito tinham determinadas características paleográficas, já os manuscritos provenientes do Ocidente ou do mundo cristão antigo tinham características paleográficas distintas.
É uma ciência muito ampla e nos permite ter certezas ao estudar as variantes textuais, a Codicologia que é o estudo dos documentos manuscritos ou impressos, tanto em pergaminho como em papel, encadernados em formato de livro (códice).
A Codicologia – que é uma ramificação da Paleografia – tem como objeto de estudo o códice ou codex e trabalha com a sua descrição técnica e análise. O estudo de Codicologia deve situar o códice de modo a entender a transmissão do texto e a sua funcionalidade de leitura.
Portanto, temos uma grande variedade de ciências que dão suporte ao estudo dos antigos escritos:
a) objetos:
a Numismática (moedas), a Esfragística (selos) e a Heráldica (brasões);
b) fatos ou circunstâncias:
a Teologia, a Sociologia, a Etnologia, a Economia Política, a Cronologia (calendários) e a Metrologia (padrões de medida), entre outros;
c) fontes escritas:
a Paleografia, a Papirologia, a Epigrafia e a Codicologia.[2]
Papirologia: o estudo dos papiros, que foi o suporte para escrita mais utilizado na Antiguidade. Esta ciência trata da leitura, conservação e interpretação dos papiros;
Epigrafia: o estudo da escrita em materiais sólidos, como madeira, pedra e metal;
Codicologia: o estudo dos documentos manuscritos ou impressos, em pergaminho ou papel, encadernados em forma de livro (códice).[3]
Além disso, deve estudar as diferentes etapas de produção do códice, desde a fabricação dos suportes de escrita, passando pelas técnicas de manufatura da encadernação, das páginas e de cópia, pelos tipos de textos transmitidos, até o curso do tempo e da história das instituições que levaram à sua destruição ou à sua preservação até aos dias de hoje, que nos permite estudar o manuscrito em si. Sabendo sua procedência, a data em que foi copiado, as influências textuais sofridas.
Por exemplo, comparando os manuscritos com os Pais da Igreja, pois sabemos onde e em que época eles viviam, dessa forma, se existe afinidade entre o texto e o pai da igreja então há claras evidências de que aquele manuscrito tenha vindo daquela região e daquele período aproximado.
“Falando a respeito dos quatro Evangelhos em específico, existem 19.368 citações dos Pais [da Igreja] desde o final do primeiro século para frente.” (GEISLER, 2010, p. 429)
Segundo Blomberg (2009, p. 14), a expressão “codex” trata-se de um termo que corresponde a “livro”. Também é chamado “Códice”.
Por exemplo: "Os três manuscritos mais conhecidos da Septuaginta são: o Vaticano (Codex Vaticanus), do séc. IV; o Alexandrino (Codex Alexandrinus), do séc. V, atualmente no Museu Britânico de Londres; e o do Monte Sinai (Codex Sinaiticus), do séc. IV, descoberto por Tischendorf no convento de Santa Catarina, no Monte Sinai, em 1844 e 1849, sendo que parte se encontra em Leipzig e parte em São Petersburgo. Todos foram escritos em unciais. O Codex Vaticanus é o mais puro dos três; é geralmente tido como o texto mais antigo, embora o Codex Alexandrinus carregue consigo o texto da Hexápla e tenha sido alterado segundo o texto massorético. O Codex Vaticanus é referido pela letra B; o Codex Alexandrinus, pela letra A; e o Codex Sinaiticus, pela primeira letra do alfabeto hebraico (aleph) ou S. A Biblioteca Nacional de Paris possui também um importante palimpsesto manuscrito da Septuaginta, o Codex Ephraemi Rescriptus (designado pela letra C) e dois manuscritos de menor valor (64 e 114), em cursivas, um pertencente ao séc. X ou XI e o outro, ao séc. XIII (Bacuez e Vigouroux, 12ª ed., nº 109). " [4]
As Unciais “são escritos sobre pergaminho em um estilo de letra maiúscula, usadas nos manuscritos do NT até c.800. Existem cerca de trezentas unciais.” (UNGER, 2006, p. 714)
A grande variedade de manuscritos da Bíblia
Norman Geisler destaca a credibilidade do texto bíblico:
“Os escritos clássicos da Grécia e de Roma ilustram de modo extraordinário o caráter da preservação dos manuscritos bíblicos. Em contraposição ao número total de mais de 5 mil manuscritos, do Novo Testamento conhecidos hoje, outros livros históricos e religiosos do mundo antigo praticamente desaparecem. Só 643 exemplares da Ilíada de Homero sobreviveram em forma de manuscrito. Da História de Roma, de Tito Lívio, restaram apenas 20 exemplares, e a obra Guerras gálicas, de César, só se conhece mediante 9 ou 10 manuscritos. Da obra de Tucídides, Guerra do Peloponeso, dispomos em apenas 8 manuscritos; as Obras de Tácito só podem ser encontradas em 2 manuscritos. Uma pesquisa das evidências em manuscritos do Antigo Testamento, embora não sejam tão numerosas como as do Novo, revela a natureza e a comprovação documentária dos textos originais da Bíblia hebraica.” (GEISLER e NIX, 2006, p. 135)
Notas
[1] Panorama da Bíblia, Rio de Janeiro, CPAD, 2016, pág. 3
[2] In: ACIOLI, V. L. C. A escrita no Brasil Colônia: um guia para leitura de documentos manuscritos. Recife: UFPE/ Editora Massangana, 1994, p. 6.
[3] (DIAS, 2005)
[4] M.M. BACUEZ e Vigouroux, Manuel Biblique Ou Cours Décriture Sainte, Paris, Éditeur: A. Ropger et F. C. – Paris, 1901.
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Fontes e Referências
BLOMBERG, C. L. Questões Cruciais do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2009.
DIAS, E. N. A História, a Codicologia e os Reclames. Arquivo Público do Estado de São Paulo, 2005. Disponivel em: <A História, a Codicologia e os Reclames>. Acesso em: 21 Agosto 2020.
GEISLER, N. L. Teologia Sistemática. 1a. ed. Rio de Janeiro: CPAD, v. 1, 2010.
GEISLER, N. L.; NIX, W. Introdução Bíblica: como a Bíblia chegou até nós. São Paulo: Editora Vida, 2006.
UNGER, M. F. Manual Bíblico Unger. São Paulo: Vida Nova, 2006.





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