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ANTROPOMORFISMO e ANTROPOPATISMO

Antropomorfismo

O antropomorfismo ou "antropomórfico" vem de duas palavras gregas: anthropos "homem", e "forma" morphe. Uma descrição antropomórfica de Deus descreve Deus em forma humana ou termos humanos. O Novo Dicionário de Teologia (FERGUSON e WRIGHT, 2009, p. 75) define antropomorfismo como:


Termo que se refere às descrições do Ser de Deus*, ações e emoções (mais propriamente antropopatismo) em termos humanos. Deus é invisível, infinito e sem um corpo, mas características humanas são frequentemente atribuídas a ele a fim de prestar informação a respeito de sua natureza e ações.

O Dicionário Teológico do Novo Testamento (2013, p. 364) observa que o antropomorfismo é um assunto ignorado no NT. A natureza pessoal de Deus é aqui uma realidade viva revelada em Cristo e no Espírito (2Co 4.6; Rm 8.27; cf. a oração “Aba” em Rm 8.15).

luz

Antropopatismo

Assim como no caso do antropomorfismo, o antropopatismo, que significa “em sentimento humano” – do grego antropos, “humano”, e pathos, “sentimentos”, trata-se de um recurso de linguagem que atribui características humanas a Deus com o objetivo de descrevê-Lo.


A Deus é atribuída emoções humanas como alegria (Is 62.5), angústia (Sl 78.40, Is 63.10), raiva (Jr 7.18-19), amor (Jo 3.16), ódio (Dt 16.22), a raiva (Sl 2.5), e assim por diante.

Sendo assim, a linguagem antropomórfica atribui a Deus certas formas e características físicas humanas – olhos, boca, coração, ouvidos, braço, mão, etc.; enquanto que a linguagem antropopática atribui sentimentos humanos a Deus – alegria, ira, amor, arrependimento, etc.


Baseados nas observações de BAVINCK (2001, p. 145, 151) onde ele diz que “os atributos comunicáveis são tão numerosos que é impossível enumerá-los e descrevê-los”, portanto devemos “fazer uso de todos os nomes, imagens e comparações [...] e todas essas formas de expressão constituem forma de ajudar-nos a conhecer Deus”.


Por isso vemos que, didaticamente, Deus é comparado aos elementos de sua criação como um leão (Is 31.4), uma águia (Dt 32.11), cordeiro (Is 53.7) , uma galinha (Mt 23.37), sol (Sl 84.11), a estrela da manhã (Ap 22.16), luz (Salmo 27.1), uma tocha (Ap 21.23), um fogo (Hb 12.29), uma fonte (Sl 36.9), rocha (Dt 32:4), um esconderijo (Sl 119.114), uma torre (Pv18:10), uma mariposa (Sl 39 : 11), uma sombra (Sl 91:1), um escudo (Sl 84:11), um templo (Ap 21:22), e assim por diante.


Em relação aos seres humanos podemos observar que Ele é descrito como tendo emoções, paixões, decisões e ações além de receber nomes de ofícios e vocações.

Ele aparece como um noivo (Is 61.10) marido, (Is 54.5), pai (Dt 32.6), juiz e rei (Is 33.22), guerreiro (Êx 15.3), arquiteto e construtor (Hb 11.10), Pastor (Sl 23.1), médico (Êx 15.26), e assim por diante.


Quanto às ações humanas, vemos que Deus expressa sua capacidade como saber (Gn 18.21), lembrar (Gn 8.1, Êx 2:24), ver (Gn 1.10), ouvir (Êx 2.24), olfato (Gn 8.21), como (Sl 11.5), estar sentado (Sl 9.7), subindo (Sl 68.1), andando (Lv 26.12), limpando as lágrimas do seu povo (Is 25.8; Ap 7.17; 21.4) e assim por diante.

Embora a maior parte dos teólogos defendam que Deus não tem corpo físico, a Bíblia usa várias partes do corpo metaforicamente para descrever as atividades de Deus.

 

A Bíblia pode falar do rosto ou semblante de Deus (Êx 33.20, 23, é 63.9, Sl 16.11, Ap 22.4), olhos (Sl 11.4, Hb 4.13), pálpebras ( Sl 11.4), ouvidos (Sl 55.1, Is 59.1), nariz (Dt 33.10), boca (Dt 8.3), lábios (Jó 11.5), língua (Is 30.27) , pescoço (Jr 18.17), braços (Êx 15.16), mão (Nm 11.23), dedo (Êx 8.19), coração (Gn 6.6), pés (Is 66.1), etc.


Por um lado, há aqueles que argumentam que Deus não possui um corpo, afirmando que quando a Bíblia fala de olhos, ouvidos, boca, etc.,  trata-se de metáforas que falam do caráter de Deus, mas que Deus é "espírito" (Jo 4.24) e não tem corpo material. Favorável a esse posicionamento dizem que, se seguirmos tal raciocínio, devemos admitir que Deus é como um leão, um cordeiro, uma águia, o fogo, uma galinha, uma rocha, fonte, protetor solar, sombra e um templo, de uma só vez!


Já os que argumentam que Deus possui um corpo[1] não ignoram que Deus é “espírito” (Jo 4.24), assim como os anjos são “espíritos ministradores” (Hb 1.14). Observam que, o fato de os anjos serem espirituais não excluem a existência de seus corpos espirituais ou celestiais (1Co 15.40) e que na ressurreição, os santos “serão como os anjos nos céus.” (Mc 12.25). Outro ponto importante é que os anjos se alimentam com substância que os homens puderam ver, tocar e comer, onde nas Escrituras, quanto ao “maná” que é chamado de “cereal do céu” é dito que os homens “comeram o pão dos anjos” (Sl 78.25) e, por isso, os levitas glorificaram a Deus dizendo que quando os israelitas “estavam com fome lhes deste pão dos céus” (Ne 9.15). Além disso, Deus é tanto visto como chamado “homem” por Moisés “O Senhor é homem de guerra; Senhor é o seu nome.” (Êx 15.3).

Como é de praxe tais divergências no convívio teológico, é bom estarmos cientes que existem as duas vertentes sobre a corporeidade ou incorporeidade de Deus.


*[Nota [1] Por exemplo, Finis Jennings DAKE, autor dos comentários da Bíblia de Estudo DAKE (2009, p. 88, 89), apresenta suas provas a partir de “44 aparições de Deus” onde ele explica uma a uma defendendo seu ponto de vista sobre a corporeidade divina. Embora possamos aplicar cada uma delas como aparições de Cristo no AT.]


Finis Jennings DAKE, autor dos comentários da Bíblia de Estudo DAKE (2009, p. 88, 89), elaborou uma lista de 21 homens que tiveram visões de Deus:


1 Abraão (Gn 15.1)

2 Jacó (Gn 46.2)

3 Balaão(Nm 24.4,16)

4 Samuel (1 Sm 3.1,15)

5 Natã (2 Sm 7.17; 1 Cr 17.15)

6 lsaías (ls 6.1; 2Cr32.32)

7 O Messias (SI 89.19)

8 Ezequiel (Ez 7.13; 8.1-4; 11.24)

9 Ido (2 Cr 9.29)

10 Daniel (Dn 2.19; 8.1-27; 9.21-24)

11 Nabucodonosor (Dn 3.24-26)

12 Obadias (Ob 1)

13 Naum (Na 1.1)

14 Habacuque(Hc 2.2,3)

15 Pedro (Mt 17.9; At 10.19; 11.15)

16 Tiago (Mt 17.9)

17 João (Mt 17.9; Ap 9.17)

18 Zacarias (Lc 1.22)

19 Ananias (At 9.10-12)

20 Cornélio (At 10.3,17)

21 Paulo (At 16.9,10; 78.9; 2 Co 12)

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Referências Bibliográficas

A BÍBLIA. Bíblia de Estudo DAKE. Rio de Janeiro: CPAD e Atos, 2009.

ANDRADE, C. C. Dicionário Teológico. Edição Revista e Ampliada. ed. Rio de

Janeiro: CPAD, 1998.

BAVINCK, H. Teologia Sistemática: fundamentos teológicos da fé cristã.

Santa Bárbara d’Oeste: SOCEP, 2001.

FERGUSON, S. B.; WRIGHT, D. F. Novo Dicionário de Teologia. São Paulo:

Hagnos, 2009.


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Olá, que bom ver você por aqui!

Felipe Morais é servo temente ao Senhor, e atua como pastor, Pós-graduado em Teologia, ...

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