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TRANSCENDÊNCIA e IMANÊNCIA

TRANSCENDÊNCIA

Deus transcende à criação e, sendo separado da criação e da história, não está limitado a elas pois é muito superior a tudo o que existe, seja visível ou invisível.


“Os céus por sua palavra se fizeram, e, pelo sopro de sua boca, o exército deles.” – “Pois ele falou, e tudo se fez; ele ordenou, e tudo passou a existir.” – Salmos 33.6,9


luz divina

Nabucodonosor reconheceu:


“Todos os moradores da terra são considerados como nada, e o Altíssimo faz o que quer com o exército do céu e com os moradores da terra. Não há quem possa deter a sua mão, nem questionar o que ele faz.” – Daniel 4.35


“Quem na concha de sua mão mediu as águas e tomou a medida dos céus a palmos? Quem recolheu o pó da terra na terça parte de uma vasilha e pesou os montes e as colinas numa balança? Quem guiou o Espírito do Senhor? Ou, como seu conselheiro, o ensinou? Com quem ele se aconselhou, para que lhe desse compreensão? Quem lhe ensinou a vereda da justiça ou quem lhe ensinou sabedoria? E quem lhe mostrou o caminho de entendimento? Eis que as nações são consideradas por ele como um pingo que cai de um balde e como um grão de pó na balança; eis que ele carrega as ilhas como se fossem pó fino. O Líbano não seria suficiente para o fogo, e os animais de lá não bastariam para um holocausto. Diante dele, todas as nações são como coisa que não é nada; ele as considera menos do que nada, como um vácuo. Com quem vocês querem comparar Deus? Com que imagem vocês o podem confrontar?” – Isaías 40.12-18

 

Dentro da teologia dialética, Karl Barth insiste numa afirmação que faz de Deus um ser indescritível:


Ele é o “Totalmente Outro”, que tem falado, operado e agido (BARTH, 2008, p. 431)

Totalmente Outro, pois Ele não é um objeto no tempo e no espaço. Sendo assim, o homem não pode conhecê-Lo diretamente[1].


*[Nota [1] Assim vemos que, embora Barth tenha lutado contra o liberalismo teológico, jamais conseguiu se libertar completamente dos pressupostos de seus mestres Herrmann e Harnack.]


A base bíblica para a transcendência de Deus:


“No princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gn 1.1). “Mas, na verdade, habitaria Deus na terra? Eis que os céus e até o céu dos céus te não poderiam conter, quanto menos esta casa que eu tenho edificado” (1 Rs 8.27). “Pode sondar os limites do Todo-poderoso? São mais altos que os céus! O que você poderá fazer?” (Jó 11.7,8, NVI). “O Senhor, Senhor nosso, quão admirável é o teu nome em toda a terra, pois puseste a tua glória sobre os céus!” (SI 8.1). “Sê exaltado, ó Deus, sobre os céus; seja a tua glória sobre toda a terra” (SI 57.5). “Pois tu, Senhor, és o Altíssimo em toda a terra; muito mais elevado que todos os deuses” (SI 97.9). “No ano em que morreu o rei Uzias, eu vi ao Senhor assentado sobre um alto e sublime trono; e o seu séquito enchia o templo” (Is 6.1). “Quem mediu com o seu punho as águas, e tomou a medida dos céus aos palmos, e recolheu em uma medida o pó da terra, e pesou os montes e os outeiros em balanças?” (Is 40.12). “Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o Senhor. Porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os vossos pensamentos” (Is 55.8,9). “Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade e cujo nome é Santo” (Is 57.15). “Assim diz o Senhor: O céu é o meu trono, e a terra, o escabelo dos meus pés. Que casa m e edificaríeis vós? E que lugar seria o do meu descanso? Porque a minha mão fez todas estas coisas, e todas estas coisas foram feitas” (Is 66.1,2). “[Há] um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos, e em todos” (Ef 4.6). “Ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele” (Cl 1.17).


Geisler (2010, p. 1002-1006) lembra que os primeiros Pais da Igreja falaram sobre a Transcendência de Deus e cita Irineu, Pápias, Clemente de Alexandria e Tertuliano. Acrescenta os Pais da Igreja Medieval citando Agostinho, Anselmo e Tomás de Aquino. Ainda cita os líderes da Reforma Protestante Martinho Lutero e Calvino, além dos Teólogos da Pós-Reforma como Jacó Armínio, Francis Turrentin, Jonathan Edwards, Stephen Charnock e William G.T. Shedd.

 

IMANÊNCIA

A definição da Imanência de Deus é “estar dentro” ou “estar próximo”.

Teologicamente, a imanência de Deus significa que Ele está dentro ou presente no universo inteiro. A imanência está proximamente associada com a onipresença de Deus [...], embora haja uma distinção entre elas. Pela sua onipresença, Deus está presente em toda a criação, mas pela sua imanência, Ele está dentro dela. (GEISLER, 2010, p. 1009)

 

Enquanto a Transcendência trata da distinção absoluta entre Deus e as coisas criadas, a Imanência trata de sua presença ativa tanto na história da humanidade como na criação.

Deus não é apenas a Causa originadora, mas também é a Causa sustentadora:

“O Filho [...] sustentando todas as coisas pela sua palavra poderosa” (Hebreus 1.3, grifo nosso); “Ele é antes de todas as coisas. Nele tudo subsiste.” (Colossenses 1.17, grifo nosso)

 

“O cristianismo defende a transcendência de Deus bem como a Sua imanência. A imanência sozinha é o aprisionamento de Deus como a transcendência sozinha é o seu banimento.” (STRONG, 2008, p. 717)

 

Deus não está dentro do universo no sentido de fazer parte dele, porque Ele é o Criador e é a sua criação. Ele está dentro do universo como a sua Causa sustentadora, mas não no sentido de o universo fazer parte da natureza divina. (GEISLER, 2010, p. 1009)

 

Não só Deus está dentro do universo, mas o universo está dentro de Deus: “pois nele vivemos, nos movemos e existimos...” (Atos 17.28)


“Na sua relação com a criação, Deus não só está acima dela, mas também está nela. Ele está perto e longe. Como infinito, Deus tem de estar além da criação, contudo como sua Causa sustentadora Ele tem de estar dentro dela.” (GEISLER, 2010, p. 1008-1009)


“Para onde me irei do teu Espírito ou para onde fugirei da tua face? Se subir ao céu, tu aí estás; se fizer no Seol a minha cama, eis que tu ali estás também; se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar, até ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá” (SI 139.7-10). “Sou eu apenas Deus de perto, diz o Senhor, e não também Deus de longe? Esconder-se-ia alguém em esconderijos, de modo que eu não o veja? – diz o Senhor. Porventura, não encho eu os céus e a terra? — diz o Senhor” (Jr 23.23,24). “Para que buscassem ao Senhor, se, porventura, tateando, o pudessem achar, ainda que não está longe de cada um de nós porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos, como também alguns dos vossos poetas disseram: Pois somos também sua geração” (At 17.27,28). “Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou” (Rm 1.19). “E ele [Jesus] é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele” (Cl 1.17). “E não há criatura alguma encoberta diante dele; antes, todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar” (Hb 4.13). “Por causa da tua vontade [de Deus] vieram a existir e foram criadas” (Ap 4.11).


Quanto à Imanência Divina, Geisler (2010, p. 1010-1013) cita os argumentos dos primeiros Pais da Igreja Inácio, Irineu e Antenágoras. Também cita os Pais da Igreja Medieval como Agostinho, Anselmo e Tomás de Aquino. No período da Reforma Protestante ele novamente cita Martinho Lutero e Calvino. E, por fim, entre os Teólogos do período Pós-Reforma, Jonathan Edwards, Stephen Charnock, R.L. Dabney, William G.T. Shedd, Charles Hodge e J.I. Packer.

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Referências Bibliográficas

BARTH,. Carta aos Romanos. 5a. ed. São Paulo: Fonte Editorial, 2008.

GEISLER, N. L. Teologia Sistemática. 1a. ed. Rio de Janeiro: CPAD, v. 1, 2010.

STRONG, A. H. Teologia Sistemática. 3a Edição Revisada e Ampliada. ed. São

Paulo: Hagnos, v. 1, 2008.

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Olá, que bom ver você por aqui!

Felipe Morais é servo temente ao Senhor, e atua como pastor, Pós-graduado em Teologia, ...

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