ATRIBUTOS DIVINOS
- Felipe Morais

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Definição
“Atributos de Deus são características ou qualidades inseparáveis do ser de Deus [...] pertencem à essência divina sem as quais ele não seria Deus. [...] chamados atributos porque somos compelidos a atribuí-los a Deus.” (SEVERA, 2014, p. 53)
Em um debate teológico no segundo século, Justino, o mártir, em seu diálogo com Trifão (1995, p. 120) declara que apenas Deus é incriado e incorruptível e, por isso, Ele é Deus.
CLASSIFICAÇÃO DOS ATRIBUTOS
Embora os atributos divinos sejam amplamente conhecidos no meio teológico, não há um consenso entre os teólogos quanto à classificação deles. Sendo assim, vamos verificar as diferentes formas de apresentação deles.

Imanentes x Emanentes
Alguns dividem as perfeições divinas em atributos imanentes (ou intransitivos) e emanentes (ou transitivos). Os primeiros são aqueles que não se expõem nem operam fora da essência divina, mas permanecem imanentes (BERKHOF, 2012, p. 54), ou seja, pertencem à própria natureza de Deus (ERICKSON, 2015, p. 258) e estão contidos nele (e.g., imensidade, simplicidade, eternidade etc.). Ou outros são os que se expõem e produzem efeitos externos quanto a Deus (BERKHOF, 2012, p. 54), isto é, emanam dele (ERICKSON, 2015, p. 258) – por exemplo, onipotência, benignidade, justiça etc.
Absolutos x Relativos
Por exemplo, (STRONG, 2008, p. 436) faz uma combinação quando fala de atributos absolutos (ou imanentes) e atributos relativos (ou transitivos). Os atributos absolutos são aqueles que pertencem ao ser divino em si (pertencem à essência de Deus, em si mesma), e atributos relativos pertencem à essência divina, em relação a sua criação (BERKHOF, 2012, p. 54). Os absolutos seriam eternidade, imensidade, asseidade (ou seja, autoexistência) etc. Os atributos relativos são os que se relacionam com a criação (onipresença, onisciência e tudo aquilo que faz referência diretamente à coisa criada).
Naturais x Morais
Outros, como A.B. Langston, Henry C. Thiessen, Edgar Y. Mullins, Millard Erickson, classificam como atributos naturais (que não têm caráter moral) e atributos morais (relacionados com o conceito do que é correto: bondade, justiça, santidade, etc.). Os primeiros seriam os atributos pertencem à natureza constitutiva de Deus, de maneira distinta de sua vontade (BERKHOF, 2012, p. 53). São os “superlativos não morais de Deus” (ERICKSON, 2015, p. 258). Os outros o qualificam como um ser moral. O problema dessa classificação é que os atributos ditos naturais também têm características morais. Os atributos naturais seriam: autoexistência, simplicidade, infinidade, etc., e os morais seriam: bondade, misericórdia, justiça, santidade, etc.
Incomunicáveis x Comunicáveis
Na classificação proposta pelo teólogo Wayne GRUDEM (1999, p. 105) ele adota os seguintes termos: “atributos incomunicáveis” e “atributos comunicáveis”
Seguindo a linha de Grudem, os atributos incomunicáveis de Deus (aqueles que Deus não compartilha conosco). São assim chamados porque eles não podem ser atribuídos a outras criaturas, não nos “comunica” (eternidade, imutabilidade, onipresença, etc.). Eles são peculiares e próprios somente dEle, não são encontrados nas criaturas, e não podem ser compartilhados com elas, pois todas as criaturas são dependentes, mutáveis, compostas e sujeitas ao tempo e ao espaço[1].
*[Nota [1] Herman Bavinck, Teologia sistemática, p. 148.]
Logo, os atributos incomunicáveis são aqueles que não podem ser atribuídos a nenhuma criatura. São “aquelas qualidades singulares para as quais não se encontra qualquer correlação nos seres humanos” (ERICKSON, 2015, p. 258). São aqueles “aos quais nada análogo, existe na criatura” (BERKHOF, 2012, p. 54), atributos que só Deus possui e que nós não possuímos.
Já os atributos comunicáveis de Deus são aqueles que Deus partilha, nos “comunica” (amor, conhecimento, misericórdia, etc.). O teólogo Louis BERKHOF refere-se aos atributos comunicáveis como “os quais as propriedades do espírito humano têm alguma analogia, como poder, bondade, misericórdia, retidão, etc.” (2012, p. 54)
Segundo Franklin Ferreira e Alan Myatt (2007, p. 216), “os atributos comunicáveis revelam a condescendência de Deus, e são as virtudes divinas que se refletem, de forma derivada e limitada, em suas criaturas”.
Louis BERKHOF (2012, p. 54) lembra ainda que nenhuma das perfeições divinas é comunicável, na infinita perfeição em que estas existem em Deus e, ao mesmo tempo, há no homem tênues vestígios até mesmo dos chamados atributos incomunicáveis de Deus.
BAVINCK (2001, p. 149) destaca que
Ele não é apenas um Deus de longe, mas também de perto. Ele não é apenas independente e imutável, eterno e onipresente, mas também sábio e poderoso, justo e santo, gracioso e misericordioso. Ele é não apenas Elohim, mas também Jeová. Assim como os atributos incomunicáveis são bem expressos no nome Elohim, assim também os atributos comunicáveis são bem expressos no nome Jeová.
SABEDORIA
“Será que você pode desvendar os mistérios de Deus ou descobrir a perfeição do Todo-Poderoso? A sabedoria de Deus é mais elevada do que os céus; o que você poderá fazer? Ela é mais profunda do que o abismo; o que você poderá saber? A sua medida é mais longa do que a terra e mais larga do que o mar. (Jó 11:7-9)
INFINITUDE
Refere-se às perfeições ilimitadas de Deus quanto ao espaço, tempo, poder, conhecimento, etc.
A infinitude quanto ao:
“TEMPO” é chamada “Eternidade”.
“ESPAÇO” é chamada de “Onipresença”, está dentro do conceito de “Imensidade”, embora alguns também a aplique ao “tempo”.
“CONHECIMENTO” é chamada “Onisciência”.
“PODER” é chamada “Onipotência”.
Grande é o Senhor e mui digno de ser louvado; a sua grandeza é insondável. (Salmos 145:3)
ETERNIDADE
Levanto a mão aos céus e afirmo por minha vida eterna (Deuteronômio 32:40)
Antes que os montes nascessem e tu formasses a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus. (Salmos 90:2)
Quem fez e executou tudo isso? Aquele que desde o princípio tem chamado as gerações à existência, eu, o Senhor, o primeiro, e aquele que estará com os últimos; eu mesmo.” (Isaías 41:4)
Pelo contrário, transmitimos a sabedoria de Deus em mistério, a sabedoria que estava oculta e que Deus predeterminou desde a eternidade para a nossa glória. (1 Coríntios 2:7)
Antes da fundação do mundo, Deus nos escolheu, nele, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele. (Efésios 1:4)
Assim, ao Rei eterno, imortal, invisível, Deus único, honra e glória para todo o sempre. Amém! (1 Timóteo 1:17)
a guardar este mandato imaculado, irrepreensível, até a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo, a qual, no tempo certo, há de ser revelada pelo bendito e único Soberano, o Rei dos reis e Senhor dos senhores, o único que possui imortalidade, que habita em luz inacessível, a quem ninguém jamais viu, nem é capaz de ver. A ele honra e poder eterno. Amém! (1 Timóteo 6:14-16)
“Eu sou o Alfa e o Ômega”, diz o Senhor Deus, “aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso.” (Apocalipse 1:8)
PAI – Antes que os montes nascessem e tu formasses a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus. (Salmos 90:2) – segundo o mandamento do Deus eterno, para a obediência da fé, entre todas as nações (Romanos 16:26)
FILHO – Ele é antes de todas as coisas. Nele tudo subsiste. (Colossenses 1:17) – Jesus respondeu: — Em verdade, em verdade lhes digo que, antes que Abraão existisse, Eu Sou. (João 8:58) - Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim. (Apocalipse 22:13)
ESPÍRITO SANTO – muito mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, a si mesmo ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas, para servirmos ao Deus vivo! (Hebreus 9:14)
IMUTABILIDADE
Tu, porém, és sempre o mesmo, e os teus anos jamais terão fim. (Salmos 102.27)
— Porque eu, o Senhor, não mudo; por isso, vocês, filhos de Jacó, não foram destruídos. (Malaquias 3.6)
Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança. (Tiago 1.17)
Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e para sempre. (Hebreus 13.8)
ESPIRITUALIDADE
Segundo Strong (2008, p. 439), “Deus não é só espírito, mas espírito puro. Ele não só não é matéria, mas não tem nenhuma conexão necessária com ela (Lc. 24.39 - “Espírito não tem carne e ossos como vedes que eu tenho”).”
Deus é Espírito, e é necessário que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade. (João 4.24)
ONISCIÊNCIA
PAI – eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e a aspersão do sangue de Jesus Cristo. Que a graça e a paz lhes sejam multiplicadas. (1 Pedro 1:2)
FILHO – O Senhor sabe todas as coisas; sabe que eu o amo (João 21:17)
ESPÍRITO SANTO – Deus, porém, revelou isso a nós por meio do Espírito. Porque o Espírito sonda todas as coisas, até mesmo as profundezas de Deus. (1 Coríntios 2:10)
ONIPRESENÇA
“— Mas será que, de fato, Deus poderia habitar na terra? Eis que os céus e até o céu dos céus não te podem conter, muito menos este templo que eu edifiquei.” 1 Reis 8:27
Quem na concha de sua mão mediu as águas e tomou a medida dos céus a palmos? Quem recolheu o pó da terra na terça parte de uma vasilha e pesou os montes e as colinas numa balança? (Isaías 40:12)
Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade e cujo nome é Santo:
“Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e vivificar o coração dos contritos. (Isaías 57:15)
Assim diz o Senhor: “O céu é o meu trono, e a terra é o estrado dos meus pés. Que casa, então, vocês poderiam construir para mim? Ou que lugar para o meu repouso? (Isaías 66:1)
Excelso é o Senhor, acima de todas as nações, e a sua glória está acima dos céus. Quem é semelhante ao Senhor, nosso Deus, cujo trono está nas alturas, que se inclina para ver o que se passa no céu e sobre a terra? (Salmos 113.4-6)
PAI – Pode alguém se ocultar em esconderijos, de modo que eu não o veja? — diz o Senhor. Não encho eu os céus e a terra? — diz o Senhor. (Jeremias 23:24)
FILHO – “E eis que estou com vocês todos os dias até o fim dos tempos.” (Mateus 28:20)
ESPÍRITO SANTO – Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face? (Salmos 139:7)
ONIPOTÊNCIA
“Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo e descansa à sombra do Onipotente” (Salmos 91.1) – “como a voz do Onipotente” (Ezequiel 1.24) – “– Eu sou o Deus Todo-Poderoso; ande na minha presença e seja perfeito.” (Gênesis 17.1)
PAI – “Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado.” (Jó 42:2) – Por acaso, existe algo demasiadamente difícil para o Senhor? Daqui a um ano, neste mesmo tempo, voltarei a você, e Sara terá um filho. (Gênesis 18:14) — Eis que eu sou o Senhor, o Deus de toda a humanidade. Será que existe algo demasiadamente difícil para mim? (Jeremias 32:27)
FILHO – E agora, ó Pai, glorifica-me contigo mesmo com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo. (João 17:5) – Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. (Mateus 28:18)
ESPÍRITO SANTO – O anjo respondeu: — O Espírito Santo virá sobre você, e o poder do Altíssimo a envolverá com a sua sombra; por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus. Porque para Deus não há nada impossível. (Lucas 1:35,37) – Mas um só e o mesmo Espírito realiza todas essas coisas, distribuindo-as a cada um, individualmente, conforme ele quer. (1 Coríntios 12:11)
SANTIDADE
PAI – porque está escrito: “Sejam santos, porque eu sou santo.” (1 Pedro 1:16) – E os quatro seres viventes, tendo cada um deles, respectivamente, seis asas, estavam cheios de olhos, ao redor e por dentro. Não tinham descanso, nem de dia, nem de noite, proclamando: “Santo, santo, santo é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, aquele que era, que é e que há de vir.” (Apocalipse 4:8)
FILHO – O anjo respondeu: — O Espírito Santo virá sobre você, e o poder do Altíssimo a envolverá com a sua sombra; por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus. (Lucas 1:35) – e nós temos crido e conhecido que o senhor é o Santo de Deus. (João 6:69) – Vocês negaram o Santo e o Justo e pediram que fosse solto um assassino. (Atos 3:14)
ESPÍRITO SANTO – E não entristeçam o Espírito Santo de Deus, no qual vocês foram selados para o dia da redenção. (Efésios 4:30)
AMOR
PAI – Quem não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor. (1 João 4:8) – E nós conhecemos o amor e cremos neste amor que Deus tem por nós. Deus é amor, e aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus permanece nele. (1 João 4:16)
FILHO – Isto para que, com todos os santos, vocês possam compreender qual é a largura, o comprimento, a altura e a profundidade e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que vocês fiquem cheios de toda a plenitude de Deus. (Efésios 3:18,19)
ESPÍRITO SANTO – Irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e também pelo amor do Espírito, peço que lutem juntamente comigo nas orações a Deus a meu favor (Romanos 15:30)
VERDADE
PAI – Mas o Senhor é o verdadeiro Deus; ele é o Deus vivo e o Rei eterno. A terra treme diante do seu furor, e as nações não podem suportar a sua indignação. (Jeremias 10:10) – Nas tuas mãos entrego o meu espírito; tu me remiste, Senhor, Deus da verdade. (Salmos 31:5)
FILHO – Jesus respondeu: — Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim. (João 14:6) – Também sabemos que o Filho de Deus já veio e nos tem dado entendimento para reconhecermos aquele que é o Verdadeiro. E nós estamos naquele que é o Verdadeiro, em seu Filho, Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna. (1 João 5:20)
ESPÍRITO SANTO – é o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece. Vocês o conhecem, porque ele habita com vocês e estará em vocês. (João 14:17) – — Quando, porém, vier o Consolador, que eu enviarei a vocês da parte do Pai, o Espírito da verdade, que dele procede, esse dará testemunho de mim. (João 15:26) – Porém, quando vier o Espírito da verdade, ele os guiará em toda a verdade. Ele não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que ouvir e anunciará a vocês as coisas que estão para acontecer. (João 16:13)
UNIDADE
A palavra “monoteísmo” foi cunhada apenas no século XVII, contudo é extremamente relevante no resumo do conceito da unidade divina baseado em textos como Dt 6.4; Is 44.6-8, etc.
Conhecido como Shemá, Deuteronômio 6:4 diz: “— Escute, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor.”
O apóstolo Paulo expande esse entendimento quando faz uma explanação sobre o senhorio divino:
"Porque, ainda que existam alguns que são chamados de deuses, quer no céu ou sobre a terra — como há muitos “deuses” e muitos “senhores” —, para nós, porém, há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas e para quem existimos, e um só Senhor, Jesus Cristo, por meio de quem todas as coisas existem e por meio de quem também nós existimos. 1 Coríntios 8:5,6
Acontece que se temos Deus por Pai, inegavelmente temos por Senhor, o Filho. O Senhorio de Cristo e sua relação com a Criação e sustentação de todas as coisas. Assim, o Criador, é Deus. Assim, ambos compartilham o status de único Deus e Senhor refletido na afirmação de Cristo que, embora distinto do Pai em sua personalidade, é plenamente unido a Ele em sua divindade, tendo declarado:
“Eu e o Pai somos um.” (Jo 10.30) – “e quem vê a mim vê aquele que me enviou.” (Jo 12.45) – e “quem vê a mim vê o Pai” (Jo 14.9). Pois “Ele é a imagem do Deus invisível” (Cl 1.15) “a expressão exata do seu Ser” (Hb 1.3) “Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade.” (Cl 2.9).
Em Isaías 43.11 temos a declaração: “Eu, eu sou o Senhor, e fora de mim não há salvador.” Da mesma forma temos em Isaías 45.5 “Eu sou o Senhor, e não há outro; além de mim não há Deus”. Aqui somos informados que, somente Deus é Senhor e Salvador.
Sabemos que Jesus é o Senhor e o Salvador! Portanto, sua divindade no mesmo nível do Pai jamais deveria ser objeto de dúvida. Ele é Aquele que tem “o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai.” (Filipenses 2.9-11)
“No princípio, Deus criou os céus e a terra.” (Gn 1.1) e a primeira coisa que Deus fez por meio de sua Palavra foi criar a luz e, imediatamente, separá-la das trevas “Então Deus disse: — Haja luz! E houve luz. E Deus viu que a luz era boa e fez separação entre a luz e as trevas.” (Gn 1.3,4).
O fato de Deus ser o Criador, faz com que sua divindade seja inquestionável. O fato de Ele ser aquele que traz a luz aos homens torna-se um detalhe ainda mais precioso. Aqui, temos que tal conceito seja um dos grandes argumentos a favor da inquestionável divindade de Cristo.
“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.” (Jo 1.1) assim começa o “gênesis” joanino remetendo-nos ao “princípio” onde o Logos – Verbo, Palavra – estava com Deus e era Deus. João afirma que “Ele estava no princípio com Deus.” (Jo 1.2) ressaltando sua preexistência e diz que “todas as coisas foram feitas por ele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez.” (Jo 1.3) até revelar que “o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1.14) tirando quaisquer sombras de dúvidas de que o Verbo se refere exatamente a Cristo, o Filho do Deus vivo (Mt 16.16)! Pois “a vida estava nele e a vida era a luz dos homens” (Jo 1.4) essa luz era boa, “a verdadeira luz, que, vinda ao mundo, ilumina toda a humanidade.” (Jo 1.9). Essa “luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela.” (Jo 1.5).
Quanto ao mais, sobre a Divindade de Cristo, falaremos disso mais exaustivamente na disciplina: Cristologia.
Assim que esse mesmo Deus único já falava de Si mesmo no plural através do nome, Elohim ou Elohîms, como transcrito pelo judeu CHOURAQUI (1995, p. 30,31) onde esclarece que “o paradoxo em virtude do qual o Deus único dos hebreus é designado, na Bíblia, por um nome plural, com ou sem o artigo, Elohîms, os Elohîms.”
Embora para quem já esteja familiarizado ao hebraico, Elohim é implicitamente plural, o uso da expressão Elohîms, deixa mais claro o sentido original das Escrituras. Portanto, será o uso comum em nosso material, exceto nos casos em que Elohim seja usado pelos autores citados originalmente a partir de suas obras. Pois nesse caso, é melhor que se mantenha o texto publicado sem modificações. Elohîms é plural de El ou de Eloha, que segundo alguns linguistas esses três termos são sinônimos. Embora não sejam aplicados também aos falsos “deuses” pagãos e até a um homem que tenha autoridade, como era o caso dos juízes, reis, etc. Por exemplo: Ex 4.16; 7.1, segundo uma das interpretações de Gn 6.12.
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Referências Bibliográficas
BAVINCK, H. Teologia Sistemática: fundamentos teológicos da fé cristã.
Santa Bárbara d’Oeste: SOCEP, 2001.
BERKHOF, L. Teologia Sistemática. Tradução de Oldayr Olivetti. 4a Edição
Revisada. ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2012.
CHOURAQUI, A. A Bíblia - No Princípio (Gênesis). Tradução de Carlito
Azevedo. Rio de Janeiro: Imago Ed., 1995.
ERICKSON, M. J. Teologia Sistemática. Tradução de Valdemar Kroker, Tiago
Abdala Teixeira Neto Robinson Malkomes. 1a. ed. São Paulo: Vida Nova,
2015.
FERREIRA, F.; MYATT, A. Teologia Sistemática: uma análise histórica,
bíblica, e apologética para o contexto atual. São Paulo: Vida Nova, 2007.
GRUDEM, W. Teologia Sistemática: Atual e Exaustiva. 2a. ed. São Paulo:
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JUSTINO. Justino de Roma: I e II Apologias / Apologias / Diálogo com Trifão.
São Paulo: Paulus, 1995. - Coleção Patrística.
SEVERA, Z. D. A. Manual de Teologia Sistemática - Revisado e Ampliado.
2a. ed. Curitiba: A.D. Santos Editora, 2014.
STRONG, A. H. Teologia Sistemática. 3a Edição Revisada e Ampliada. ed. São
Paulo: Hagnos, v. 1, 2008.






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