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OS NOMES DE DEUS

Os Nomes de Deus 

“Um Deus é conhecido, em primeiro lugar, por seu nome” (CHOURAQUI, 1990, p. 277), isso nos mostra a importância da revelação dada quando Moisés solicita ao Senhor o seu Nome.

 

ELOHÎMS

“O primeiro nome divino escrito na Bíblia é Elohîms(CHOURAQUI, 1995, p. 30)[1] e é também o mais geral, sugerindo a ideia de poder e prioridade. “A raiz dessa palavra serve para denominar o caneiro ou o carvalho, a força, a vontade suprema” (CHOURAQUI, 1990, p. 277). Às vezes aplicado também a homens e até às divindades pagãs. “A mesma ‘Elohim’ serve também para designar os deuses dos panteões pagãos.” (CHOURAQUI, 1990, p. 277). De acordo com Chouraqui (1995, p. 32, 33), YHWH (ou Yahweh) no hebraico יהוה é o nome pessoal do Elohîms de Israël.


cenário

A pronúncia original do nome יהוה é praticamente impossível como era nos tempos antigos. Isso devido ao fato de que apenas os sumos-sacerdotes usavam pronunciá-lo quando na celebração do Yom Kippur, o Dia da Expiação. Ele destaca ainda que enquanto alguns linguistas dizem que tal nome se deriva do verbo hava, (que é uma forma arcaica de haya), “ser” significando “aquele que sempre foi” ou “que sempre será”, outros linguistas se apoiam numa raiz árabe hawa, que designando o ar que sopra viram no nome de Deus como “aquele que plana e voa no ar”, e ainda outro grupo de linguistas apresentam suas teses baseando-se dos “nomes antigos yah ou yahou. Martin Buber detecta aí um grito de maravilhamento diante de Yah hou, Yah Ele!”.


Josefo (1990, p. 145), que era sacerdote em Jerusalém no período do primeiro século, nos informando sobre a revelação do Nome de Deus dado ao Moisés, relata “mas não me é permitido repetir esse nome”, e então não escreve o nome em sua obra. Chouraqui (1990, p. 278-279) reconhece o mistério da pronúncia do nome, mas lembra que “na Bíblia ele designa o que foi, o que é, o que será absoluto”. Ele ainda diz que o tetragrama “YHWH dá nascimento à forma Ehye, eu serei”, sendo difícil traduzir a frase: “Ehye asher ehye”, “eu serei o que eu serei”. E diz que “a conjunção asher poderia ser traduzida com mais exatidão por dois-pontos, “Eu serei: eu serei”. Diz que “é possível que o nome Ele (hu) seja uma forma antiga do nome Iahweh.”. E, por fim, destaca que “na narrativa do sacrifício de Isaac, o nome Elohim é sempre empregado para designar o Deus de rigor, enquanto Iahweh é o Deus da graça”.

 

YHWH יהוה

No Antigo Testamento, Yahweh nos é apresentado por vários nomes compostos como: YHWH Yiré, o SENHOR Proverá (Gn 22.13); YHWH Rapha, o SENHOR que te Sara (Êx 15.26); YHWH Shalom, o SENHOR é Paz (Jz 6.24); YHWH Tsidkenu, SENHOR, Justiça Nossa (Jr 23.6; 33.16); YHWH Shamá, O SENHOR Está Ali (Ez 48.35).


Chouraqui (1995, p. 32, 33) diz que o nome Yah é geralmente considerado um diminutivo de IHVH porém que alguns linguistas afirmam se tratar do nome original de Elohîms, e destaca que o uso desse nome é muito raro, sendo usado apenas em textos poéticos. Além disso, sugere que o motivo da cristandade em nossos dias pronunciar Jeová está no fato da tradição judaica ter substituído em suas leituras e liturgias o tetragrama YHWH por Adonai. Quanto a isso, ele diz que “a palavra Adonai é o plural construído a partir de Adon” (CHOURAQUI, 1990, p. 278)


Mais singularmente ainda, eles designam-no pelo tetragrama YHWH [Iahweh], [...]. Fora da Bíblia, o nome Iahweh se encontra nas inscrições de Laquis e na de Mesa, rei de Moab. Enquanto El também é um dos deuses dos panteões pagãos, Iahweh é o nome particular do Deus de Israel, o que revelou a Moisés [...]. (CHOURAQUI, 1990, p. 277).


O teólogo Louis BERKHOF  (2012, p. 49,50) destaca que o Novo testamento tem equivalentes gregos dos nomes do Velho Testamento.


THEOS – Para ‘El, ‘Elohim, e ‘Elyon. ‘Elyon é traduzido por Hypsistos Theos [...] Os nomes Shadday e ‘El-Shadday são vertidos para Pantokrator e Theos Pantokrator.

KYRIOS – O nome Yahweh é aplicado algumas vezes por variantes de tipo descritivo, como “o Alfa e o Ômega”, “que é, que era, e que há de vir”, “o princípio e o fim”, “o primeiro e o  último”, Ap 1.4, 8, 17; 2.8; 21.6; 22.13. Todavia, quanto ao mais, o Novo Testamento segue a Septuaginta, que substitui por ‘Adonai, e o traduz por Kyrios, derivado de kyros, poder. Este nome não tem exatamente a mesma conotação de Yahweh, mas designa a Deus como o Poderoso, Senhor, o Possuidor, o Governador que tem poder e autoridade legal. É empregado não somente som referência a Deus, mas também a Cristo.

 “Os LXX transcreveram IHVH Elohîms por Kurios ho Téos, ou Kurios Kurios, ou ainda Despotès Kurios.” (CHOURAQUI, 1995, p. 32)

PATER – Muitas vezes se diz que o Novo Testamento introduziu um novo nome de Deus, a saber, Pater (Pai). Mas isto, a rigor, não é certo. [...] É utilizado repetidamente no Velho Testamento para designar a relação de Deus com Israel, Dt 32.6; Sl 103,13; Is 63.16; 64.8; Jr 3.4, 19; 31.9; Ml 1.6; 2.10, enquanto que Israel é chamado filho de Deus, Êx 4.22; Dt 14.1; 32.19; Is 1.2; Jr 31.20; Os 1.10; 11.1. Nestes casos o nome expressa a relação teocrática especial que Deus mantém com Israel. Em todos os outros lugares ele serve para expressar a relação especial da primeira Pessoa da Trindade com Cristo, com o Filho de Deus.

 

 

NOMES PARA DEUS NO ANTIGO TESTAMENTO[2]

Nome

Significado

Referência

Elohim

Deus

Gênesis 1.1;

Salmos 19.1

YHVH, às vezes escrito “Javé”, “Jeová”, “Yavé”, ou “Yehowah”

O Tetragrama Sagrado[3] יהוה

Gênesis 2.4

El Elyon

Deus Altíssimo, o Supremo

Gênesis 14.17-20;

Isaías 14.13,14

El Roi

O Forte que vê

Gênesis 16.13

El Shaddai

“O Deus Todo-Poderoso” ou “O Deus Onipotente[4]” ou  “O Deus de todas as fecundidades”[5]

Gênesis 17.1;

Salmos 91.1

Jeová Jiré

O Senhor Proverá

Gênesis 22.13,14

Jeová Rafá

O Senhor que nos Cura

Êxodo 15.26

Jeová Nissi

O Senhor nossa Bandeira

Êxodo 17.15

Jeová Makadesh

O Senhor, teu Santificador

Êxodo 31.13

Jeová Shalom

O Senhor é Paz

Juízes 6.24

Jeová Rohi

O Senhor é o meu Pastor

Salmos 23.1

Jeová Sabaoth[6]

O Senhor dos Exércitos

Isaías 6.1-3

Nome

Significado

Referência

El Olam

O Deus Eterno

Isaías 40.28-31

Jeová Tsidkenu

O Senhor, nossa Justiça

Jeremias 23.6; 33.16

Jeová Shamá

O Senhor que está Presente

Ezequiel 48.35

Adonai[7]

Senhor

Malaquias 1.6

Comentando sobre Êxodo 20.7 “Não portarás o nome de IHVH, teu Elohîms, em vão”, Chouraqui diz:

O respeito do Nome sagrado chegou a tal ponto em Israël que se traduziu por uma interdição absoluta de pronunciá-lo. Somente o grande[8] sacerdote podia fazê-lo, no dia do Grande Perdão[9], no santuário dos santuários[10]. Desde a destruição do Templo ninguém conhece a pronúncia exata do nome sagrado do Elohîms de Israël. O povo da memória reteve tudo, exceto o nome de seu Elohîms. (CHOURAQUI, 1996, p. 246-247)

 

Em seu famoso dicionário bíblico, o professor Jhon DAVIS (1970, p. 303) descreve:

Era costume entre os hebreus, quando liam, pronunciar a palavra Adonay, Senhor, em lugar de Jeová [...] Crê-se geralmente que o tetragrama Yhvh era pronunciado Yahveh, porque o nome sagrado Jah, Sl 89. 8, e as formas Yeho, Yo, Yah e Yahu que ocorrem constantemente na formação de nomes próprios, como sejam Jehosaphat, Joshaphat, Shephatiah, podem ser derivados de Yahweh de acordo com as leis da filologia. Yahweh e forma arcaica, e provavelmente representa o Qal, tempo imperativo do verbo hawah que posteriormente tomou a forma hayah, ser ou fazer-se. Se assim for, o verbo hayah quer dizer: "Aquele que existe absolutamente e que manifesta a sua existência e o seu caráter” Êx 3. 13, 15. O criador, o que sustenta todas as cousas e que governa o universo, e o elohim, Deus, que fez o pacto com Abraão, Isaque e Jacó. O Deus da sua fortaleza e das suas esperanças futuras e da sua existência eterna, e o El Shadday, Deus Onipotente; porém, o Deus da revelação e da graça, que habita com o seu povo que o guia e que o defende contra seus inimigos e que recebe a sua adoração, chama-se Jeová. [...] Ocorre pela primeira vez na formação de nomes próprios na palavra Jacobede, que era o nome da mãe de Moisés e de Arão, Êx 6.20. Aparece também na formação da palavra Moriah.

Como podemos ver, os hebreus geralmente passaram a receber nomes que faziam alusão ao Nome de Deus e, por isso, são lembrados de que isso não bastava caso não tivessem uma postura digna diante do Senhor: “se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, orar, me buscar e se converter dos seus maus caminhos, eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra.” (2 Crônicas 7:14, grifo nosso)

 

Muito tempo antes, Jacó havia perguntado pelo “Nome” do Senhor quando passou a noite lutando próximo ao vau de Jaboque: “Jacó disse: — Por favor, diga-me como você se chama. Ele respondeu: — Por que você pergunta pelo meu nome? E o abençoou ali.” (Gênesis 32:29, grifo nosso)


Em sua aparição a Moisés na sarça ardente, o Senhor declara: “Eu sou o Deus de seu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó. Moisés escondeu o rosto, porque teve medo de olhar para Deus.” (Êxodo 3:6, grifo nosso)

 

Assim como Jacó, o servo Moisés decide perguntar sobre o Nome dAquele que o está enviando aos escravos hebreus afim de libertá-los:

Moisés disse para Deus: — Eis que, quando eu for falar com os filhos de Israel e lhes disser: “O Deus dos seus pais me enviou a vocês”, eles vão perguntar: “Qual é o nome dele?” E então o que lhes direi? Deus disse a Moisés: — Eu Sou o Que Sou. Disse mais: — Assim você dirá aos filhos de Israel: “Eu Sou me enviou a vocês.” Deus disse ainda mais a Moisés: — Assim você dirá aos filhos de Israel: “O Senhor, o Deus dos seus pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó, me enviou a vocês. Este é o meu nome eternamente, e assim serei lembrado de geração em geração.” (Êxodo 3:13-15, grifo nosso)


Logo em seguida, somos informados que a revelação desse nome foi inédita, portanto, sua aplicação aos escritos anteriores está relacionada ao escritor – Moisés – que tinha recebido a revelação do Nome antes de redigir o texto sagrado:


“Deus falou a Moisés e lhe disse: — Eu sou o Senhor. Apareci a Abraão, a Isaque e a Jacó como o Deus Todo-Poderoso; mas pelo meu nome, O Senhor, não lhes fui conhecido.” (Êxodo 6:2,3).


Èhyèh asher èhyèh, Eu sou quem sou, deve portanto compreender-se fora da nossa escala do tempo, simultaneamente como um passado, um presente e um futuro, na intemporalidade dos seus significados.” (CHOURAQUI, 1995, p. 126)[11]


​“Mas, desde o nascente do sol até o poente, é grande o meu nome entre as nações. Em todos os lugares lhe é queimado incenso e são trazidas ofertas puras, porque é grande o meu nome entre as nações, diz o Senhor dos Exércitos.” – (Malaquias 1.11)


Notas

[1] ver tópico UNIDADE divina no material da aula sobre ATRIBUTOS DIVINOS.

[2] Tabela baseada em (MACARTHUR, 2019, p. 36), (WIERSBE, 2006, p. 272, 276), e (CHOURAQUI, 1990, p. 278)

[3] CHOURAQUI (1995, p. 32) transcreve o tetragrama sagrado יהוה por YHVH

[4] El Shaddai – “Deus Onipotente” (DAVIS, 1970, p. 303)

[5] (CHOURAQUI, 1990, p. 278)

[6] Yahweh Tsebhaoth – o SENHOR dos Exércitos. Assim vemos o Cavaleiro montado em seu cavalo branco em Apocalipse, o qual “o seu nome é “Verbo de Deus”. Os exércitos do céu o seguiam” (Apocalipse 19:13,14). Segundo Berkhof, o nome Yahweh Tsebhaoth acha-se muitas vezes em contextos em que os anjos são mencionados: 1 Sm 4.4; 2 Sm 6.2; Is 37.16; Os 12.4, 5; Sl 80.1, 4, 7, 14, 19; 89.6, 8. Os anjos são repetidamente descritos como um exército que circunda o trono de Deus, Gn 28.12; 32.2; Js 5.14; 1 Rs 22.19; Sl 68.17; 103.21; 148.2; Is 6.2. (BERKHOF, 2012, p. 49). Corroborando com essa ideia, (CHOURAQUI, 1990) afirma que “o nome Sebaot entende-se nos sentidos ambivalentes de Deus das milícias celestes, Deus de toda a multidão das criaturas ou das miríades angélicas...”

[7] Adon – possui vários significados, entre eles: governo, firme, forte, senhor, chefe, marido, mestre, etc. Sendo usado tanto para Deus ou homens poderosos como reis, príncipes, etc.

[8] Sumo sacerdote

[9] Yom Kippur – O Dia da Expiação

[10] O Santo dos Santos – Santíssimo Lugar, após o véu, dentro do Tabernáculo/Templo

[11] Livro: Moisés - Profeta do Mundo Moderno?



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Referências Bibliográficas

BERKHOF, L. Teologia Sistemática. Tradução de Oldayr Olivetti. 4ª Edição Revisada. ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2012.

CHOURAQUI, A. A Bíblia - No Princípio (Gênesis). Tradução de Carlito Azevedo. Rio de Janeiro: Imago Ed., 1995.

CHOURAQUI, A. Moisés - Profeta do Mundo Moderno? Tradução de Filipe Duarte. Lisboa: Instituto Piaget, 1995.

CHOURAQUI, A. Os Homens da Bíblia. Tradução de Eduardo Brandão. São Paulo: Compahia das Letras: Círculo do Livro, 1990. Coleção: A Vida Cotidiana.

DAVIS, J. D. Dicionário da Bíblia. 3ª. ed. Rio de Janeiro: Casa Publicadora Batista, 1970.

JOSEFO, F. História dos Hebreus. Tradução de Vicente Pedroso. Rio de Janeiro: CPAD, 1990.

MACARTHUR, J. Comentário Bíblico MacArthur: desvendando a verdade de

Deus, versículo a versículo. Rio de Janeiro: Thomas Nelson, 2019.

WIERSBE, W. W. Comentário Bíblico Expositivo: Antigo Testamento:

Pentateuco / Warren W. Wiersbe. Tradução de Suzana E. Klassen. 1a. ed.

Santo André, SP: Geográfica Editora, v. I, 2006.

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Felipe Morais é servo temente ao Senhor, e atua como pastor, Pós-graduado em Teologia, ...

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