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O Calvinismo é o Evangelho?

É comum ouvir de pregadores calvinistas a ideia propagada por Spurgeon associando diretamente o Evangelho ao escopo teológico de Calvino: “Calvinismo é apenas um apelido; Calvinismo é o evangelho, e nada mais.” (Charles Spurgeon, The New Park Street Pulpit , Vol. 1, 1856).


É óbvio que essa ideia não passa de um exclusivismo por parte do pregador, por isso, esse artigo escrito por Ben Kiger se torna tão importante. *[Artigo traduzido e publicado com autorização do autor para Felipe Morais]


Ben Kiger

Neste artigo escrito por Ben Kiger, demonstrará que o Evangelho está muito acima de qualquer esquema soteriológico e que sua abrangência é universal.

— escrito por Ben Kiger


“O calvinismo é o evangelho, e nada mais.”


O Calvinismo é o Evangelho?

Spurgeon tinha uma barba bem bonita...

Ele também fez uma afirmação aqui que merece ser examinada diretamente.

Equiparar o calvinismo a “Cristo e Este crucificado” é uma extrapolação teológica. Isso toma um sistema explicativo particular e o eleva ao nível do próprio Evangelho. O Evangelho não é uma estrutura sobre poder, decretos ou inevitabilidade. O Evangelho é a revelação do Amor do Pai, tornado conhecido no Filho, através da iluminação do Espírito Santo (João 3:16; João 1:14; 1 João 4:9).

Cristo crucificado não é Deus provando quão soberano Ele é sobre os pecadores. É Deus entregando-se por eles.

O calvinismo, em seu ponto mais forte, busca defender o poder de Deus. Mas, ao fazê-lo, frequentemente diminui algo que as Escrituras se recusam a subordinar: o Amor de Deus não é secundário ao Seu poder, nem explicado por ele.

O Amor não é um resultado de decreto; é a própria Natureza de Deus (1 João 4:8). O poder serve ao Amor — e não o contrário.

A Cruz não revela um Deus que salva porque precisa cumprir um sistema. Ela revela um Deus que salva porque deseja entregar a Si mesmo, porque Ele é Amor.


O calvinismo é comumente resumido por cinco pontos, lembrados pelo acrônimo TULIP (em inglês):


Depravação Total (Total Depravity)

Diz-se que a humanidade é incapaz de responder a Deus de qualquer forma.

Contradição: Um amor que cria pessoas, mas remove sua capacidade de responder, não é mais relacional, é mecânico.

Eleição Incondicional (Unconditional Election)

Deus escolhe alguns para a salvação sem referência à fé, desejo ou participação.

Contradição: Uma escolha que exclui a resposta colapsa o amor em uma preferência ou decreto arbitrário.

Expiação Limitada (Limited Atonement)

O Amor de Cristo é restrito àqueles pré-escolhidos, tornando a cruz desnecessária [para os outros].

Contradição: Um amor revelado na cruz que não é oferecido a todos não é mais uma boa nova universal.

Graça Irresistível (Irresistible Grace)

O chamado salvífico de Deus não pode ser resistido.

Contradição: Um chamado que não pode ser recusado não é um convite, mas uma imposição.

Perseverança dos Santos (Perseverance of the Saints)

Os eleitos inevitavelmente perseverarão até o fim porque foram feitos para isso.

Contradição: Uma fé que não pode falhar não é fé verdadeira — é inevitabilidade vestindo linguagem religiosa. Deus preservará os crentes genuínos através da fé, mas não é porque eles foram escolhidos arbitrariamente.

O Evangelho anuncia o Amor de Deus

Tomados em conjunto, esses pontos formam um sistema fechado no qual os resultados são fixados por decreto. A questão não é que eles enfatizem a iniciativa de Deus, mas que eles redefinem o Amor, a responsabilidade e o sofrimento de maneiras que entram em conflito com o caráter de Deus revelado em Cristo.

As Escrituras não apresentam a fé como a suspensão da razão, mas como o seu cumprimento. “Vinde, pois, e arrazoemos”, diz o Senhor (Isaías 1:18). O Logos convida à coerência, não à contradição — significando que a justiça de Deus, o Amor e as ações devem ser inteligíveis com Quem Ele revelou ser em Cristo.

O amor pode ser recebido ou recusado

O Evangelho proclama que o chamado de Deus é universal (João 1:9; Tito 2:11; João 12:32), que Cristo é “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (João 1:29), e que o Amor convida em vez de coagir. Um Amor que não pode ser recusado não é Amor relacional, mas poder efetivo.

Embora a humanidade seja responsável, essa responsabilidade só é justa porque Deus estende Seu chamado a todos (Atos 17:30). Caso contrário, o sofrimento se tornaria ilógico. A existência que não seja Deus é imperfeita por natureza e, sem Cristo, o Logos que cura e completa, a imperfeição necessariamente colapsa em falha.

Portanto, Deus supre o remédio para essa imperfeição não através da dominação ou exclusão, mas cumprindo a Lei do Amor através da autoentrega. Esta é a expressão suprema da Lógica Divina. Qualquer coisa menos do que isso tornaria o sofrimento arbitrário e contrário à natureza e ao caráter do Logos, Aquele que é Luz, Verdade e Amor (João 1:1–5).

O Amor de Deus se revela no Cristo Crucificado

Quando Cristo diz: “Quem me vê a mim vê o Pai” (João 14:9), Ele não revela dominação, arbitrariedade ou misericórdia seletiva. Ele revela fidelidade de autoentrega, paciência e compaixão. A Cruz não é Deus afirmando controle sobre o destino humano — é Deus entrando no sofrimento humano para redimi-lo (Filipenses 2:5–8).

O Evangelho é Boa Notícia para Toda a Humanidade

Dizer que “o calvinismo é o Evangelho” colapsa a Pessoa de Cristo em uma teoria ilógica sobre Ele. Reduz o Evangelho da revelação de autoentrega do Amor do Pai para um sistema abstrato de decretos. Nós não escolhemos a vida, e qualquer sistema que retrate Deus criando arbitrariamente a maioria das pessoas apenas para confiná-las a um tormento inevitável contradiz o caráter do Amor revelado em Cristo. Tal visão fratura a coerência do Logos e torna a bondade divina ininteligível.

O Evangelho não é um apelido para uma doutrina falha.

É a boa nova...

... de que Deus amou o mundo de tal maneira, que o Filho foi dado, que a Luz entrou na escuridão, e que o Amor, livremente dado, tem a palavra final.

Porque Ele é Justo.

O calvinismo não esgota o Evangelho. E quando qualquer sistema afirma que o faz, arrisca diminuir o próprio Amor que afirma defender. O Evangelho não pode ser confinado a um sistema, nem reduzido a uma teoria ilógica de poder. É a revelação do Amor do Pai, dada em Cristo.


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1 comentário


Sandra Pasqualino
Sandra Pasqualino
18 de dez. de 2025

Um prazer conhecer um pastor como o pastor Felipe. Deus o abençoe e continue dando sabedoria para abrir os olhos de milhares de pessoas cegas por uma doutrina que deturpa a Palavra de Deus 🙌🙏

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Olá, que bom ver você por aqui!

Felipe Morais é servo temente ao Senhor, e atua como pastor, Pós-graduado em Teologia, ...

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