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Introdução à Cristologia: A Pessoa de Cristo

CRISTOLOGIA


Cristologia, do grego (khristós) e Logos, palavra, assunto, conversa, discurso, expressão, tratado. É o ramo da teologia que estuda e define a natureza de Jesus, a doutrina da pessoa e da obra de Jesus Cristo.

IRINEU[1] de Lião comenta sobre a Imagem e Semelhança de Deus em nós sendo recuperada por Cristo:

O Salvador é Jesus
Demonstrado até a evidência que o Verbo existia, desde o princípio junto de Deus, que por sua obra foram feitas todas as coisas, que sempre esteve presente ao gênero humano e que justamente ele, nestes últimos tempos, segundo a hora estabelecida pelo Pai, se uniu à obra de suas mãos, feito homem passível, está refutada toda afirmação contrária dos que dizem: se nasceu nestes últimos tempos, houve um tempo em que o Cristo não existia.
Era necessário que o Verbo sofresse para a nossa salvação
Com efeito, demonstramos que a existência do Filho de Deus não teve início naquele momento, existindo desde sempre junto do Pai; mas quando se encarnou e se fez homem, recapitulou em si toda a longa série dos homens, dando-nos em resumo a salvação, de forma que o que tínhamos perdido em Adão, isto é, a imagem e semelhança de Deus, o recuperássemos em Jesus Cristo.

Qualquer estudo sobre a pessoa de Cristo pode abordar apenas a superfície, porque o retrato de Jesus na Escritura é tão profundo que desafia a capacidade humana de compreendê-lo totalmente. (SPROUL, 2017, p. 192)


Cristologia

 

A PESSOA DE CRISTO

 

___ “Jesus Cristo”: O nome “Jesus” é a forma grega (Iesous) de Josué, em hebraico Yesûa, cuja etimologia está semanticamente ligada à ideia de salvação. “Cristo”: substantivo grego (khristós) que deriva do verbo khríô, que significa “ungir”. Cristo é literalmente “o Ungido”. Trata-se de uma helenização do termo “Messias”, de origem hebraica, o qual nunca ocorre em Mateus (aliás, em todo o NT só ocorre duas vezes: João 1,41; 4,25).[2]

Quanto à Pessoa de Cristo, as Escrituras afirmam que Ele é imutável: Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente.” (Hebreus 13:8). Cabe-nos enquanto teólogos buscar compreender esse grande mistério, dentro daquilo que nos é permitido.

 

Destacamos as palavras de MAIA que afirma:

Muitos têm um “alto” conceito de Jesus: “grande mestre”, “grande revolucionário”, “líder religioso”, “humanitário”, profeta”, “quase divino”, “cheio de Deus”, etc. Todavia, qualquer juízo a respeito de Cristo que, em primeiro lugar, não reconheça o fato de ele ser Deus encarnado é, na realidade, uma diminuição do seu ser, uma ofensa, uma blasfêmia, não um “elogio”. (MAIA, 2007, p. 59)

 

Fazendo uma pesquisa exaustiva, podemos perceber que não foi, e nunca será, tarefa simples explicar tais detalhes preciosos a qualquer tipo de ouvinte que estiver atento. Obviamente, depois de acurada pesquisa, estaremos propondo em termos simples aquilo que de mais essencial podemos extrair das fontes examinadas.

 

 

Uma vez que Deus é ETERNO, IMUTÁVEL e IMORTAL como ficaria o fato de Jesus ter literalmente estado submisso ao tempo e espaço, haja vista seu desenvolvimento normal desde a infância como homem integral (“E crescia Jesus em sabedoria, e em estatura, e em graça para com Deus e os homens.” Lucas 2:52), a encarnação do Logos (“e o Verbo se fez carne” Jo 1:14) e sua passagem pela morte “morreu pelos nossos pecados (1Co 15:3)” onde entre vários outros textos, há uma significativa necessidade de reflexão sobre perguntas que um opositor da fé cristã poderia nos fazer, por exemplo:

 

  • “Se Deus não morre, como você diz que Jesus é Deus, sendo que Ele passou pela morte?”

  • “Se Jesus é Homem, como vocês lhe prestam adoração tendo o mandamento de adorar somente a Deus?”

  • “Se Jesus é perfeitamente Homem e ao mesmo tempo perfeitamente Deus, Ele não deveria ser Duas Pessoas?”

 

Esses são alguns dos vários pontos fundamentais que levaram os teólogos ao longo da História a debater sobre a autenticidade e abrangência tanto da natureza humana quanto divina de Cristo.

 

Gradativamente a Teologia, ao responder ponto a ponto, foi-se aprimorando até chegar num Dogma conclusivo: A UNIÃO HIPOSTÁTICA.

 

  • Podemos destacar a definição de ELWELL (1990, p. 591) sobre a união Hipostática:

“na encarnação do Filho de Deus, uma natureza humana foi unida inseparavelmente, para sempre, com a natureza divina na única Pessoa de Jesus Cristo, mas as duas naturezas permaneceram distintas, íntegras e sem mudança, sem mistura nem confusão, de modo que a única Pessoa, Jesus Cristo, é vero Deus e vero homem.”

  

OS TÍTULOS DE CRISTO

 

Desde o início das Sagradas Escrituras o Verbo de Deus recebe vários títulos ao longo da narrativa bíblica até chegar ao Apocalipse.

 

Os dois títulos ou nomes mais comumente usados pelos cristãos para se referir ao Senhor são Jesus, uma tradução do nome hebraico Josué, que significa “o Senhor salvará”, e Cristo, uma tradução do termo grego Christos, que significa “Ungido” ou Messias. (MACARTHUR, 2019, p. 398)

 

São nomes que definem sua obra, seu poder ou sua natureza.  Tratando dos Títulos de Cristo, CHAFER (2003, p. 346) diz:

Emanuel fala de seu relacionamento na encarnação, Jesus de sua salvação, o Filho do homem de sua humanidade; o Filho de Deus de sua deidade; Senhor, de sua autoridade; o Filho de Davi de seus direitos do trono; Fiel e Verdadeiro, de suas manifestações, e Jesus Cristo, o Justo, da equidade com que Ele faz a condenação devida ao cristão por causa do pecado.”

 

No Salmo 88.1 temos a expressão “Senhor, Deus da minha salvação” nas versões em português:

Ó Senhor, Deus da minha salvação, dia e noite clamo diante de ti. – Salmos 88:1

 

Mas quando lemos em hebraico vemos “YHWH Elohim Yeshua”:

“Ó YHWH Elohim Yeshua, dia e noite clamo diante de ti. –Salmos 88:1

 

Entre os títulos cristológicos, Justino, o mártir, declara: “Cristo, que no discurso dos profetas é chamado Sabedoria, Dia, Oriente, Espada, Pedra, Vara, Jacó e Israel” (JUSTINO, 1995, p. 264). O título “Dia” aqui exposto por Justino, parece tratar-se de uma aplicação do Salmo 118, mais especificamente no verso 24. Sendo assim, apresentaremos o contexto para provar que o contexto relaciona-se com o Messias:

 

“A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a pedra angular. Isto procede do Senhor e é maravilhoso aos nossos olhos. Este é o dia que o Senhor fez; exultemos e alegremo-nos nele.” (Salmos 118.22-24)

 

MESSIAS

 

Derivada de um vocábulo hebraico, a palavra Messias, como a palavra grega Cristo, significa “ungido”. No Antigo Testamento, algumas pessoas escolhidas para tarefas especiais, como reis, sacerdotes e profetas, eram ungidas com óleo. Em tempo, como os profetas advertiram os israelitas acerca do Juízo de Deus e das promessas de restauração, o termo Messias referia-se àquEle que viria para governar Israel, restaurar o reino de Davi, e trazer paz e prosperidade ao povo de Deus. Muitos judeus na época de Jesus esperavam um herói militar que os libertaria de Roma. No entanto, Jesus era um Messias inesperado. Ele libertou o povo não de Roma, mas do pecado e da morte. (PANORAMA., 2018, p. 173)

 

Baseado no Manual Bíblico MacArthur (2019, p. 398) vamos listar alguns dos “nomes/títulos” de Cristo:

A Palavra (Jo 1.1); Adão, último Adão (1Co 15.45); Alfa e Ômega (Ap 23.6); Apóstolo e Sumo Sacerdote (Hb 3.1); Bom pastor (Jo 10.11); Cordeiro de Deus (Jo 1.29); Descendente de Abraão (Gl 3.16); Emanuel (Deus conosco) (Mt 1.23); Filho de Abraão, Filho de Davi (Mt 1.1); Filho do Homem (Mt 18.11); Grande Pastor das ovelhas (Hb 13.20); Luz do mundo (Jo 9.5); Mediador entre Deus e os homens (1Tm 2.5); O Santo de Deus (Mc 1.24); Pão da vida (Jo 6.35); Pedra angular (Ef 2.20); Primogênito dentre os mortos (Cl 1.18); Profeta (At 3.22); Raiz de Davi, Estrela da manhã (Ap 5.5; 22.16); Rei dos Reis, Senhor dos senhores (Ap 19.16); Salvador (Lc 1.47); Senhor da glória (1Co 2.8); Supremo pastor (1Pe 5.4); Unigênito do Pai (Jo 1.14).

Notas:

[1] Irineu de Lião: Contra as Heresias (1995, p. 328-329), III Livro, Doutrina Cristã, 18,1,

[2] Vários autores (2017-04-28). Bíblia -Tradução de Frederico Lourenço. Volume I (Locais do Kindle 1105-1109). São Paulo: Companhia das Letras. Edição do Kindle.



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Referências Bibliográficas

BÍBLIA SAGRADA. Bíblia Sagrada – Almeida Corrigida e Fiel. Edição Corrigida e Revisada Fiel ao Texto Original. ed. São Paulo, SP: Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil, 2011.

BÍBLIA. Tradução de Frederico Loureço. Volume I. São Paulo: Companhia das Letras, 2017 (Edição do Kindle)

CHAFER, L. S. Teologia Sistemática. 1ª. ed. São Paulo: Hagnos, v. 1-4, 2003.

ELWELL, W. A. Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã. Reimpressão em 1 volume: 2009. ed. São Paulo: Vida Nova, v. 3, 1990.

IRINEU. Irineu de Lião: Contra as Heresias. São Paulo: Paulus, 1995. - Coleção Patrística.

JUSTINO. Justino de Roma: I e II Apologias / Apologias / Diálogo com Trifão. São Paulo: Paulus, 1995. - Coleção Patrística.

MACARTHUR, J. Manual Bíblico MacArthur: Gênesis à Apocalipse. Tradução de Érica Campos. 2ª. ed. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2019.

MAIA, H. Fundamentos da Teologia Reformada. 1ª. ed. São Paulo: Mundo Cristão, 2007.

PANORAMA. Panorama da Bíblia. Tradução de Daniele Pereira. Rio de Janeiro: CPAD, 2018.

SPROUL, R. C. Somos Todos Teólogos: Uma Introdução à Teologia Sistemática. São José dos Campos, SP: Editora Fiel, 2017.

 

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Felipe Morais é servo temente ao Senhor, e atua como pastor, Pós-graduado em Teologia, ...

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